Robertson Frizero

Escritor, tradutor, dramaturgo e professor de Criação Literária

Ana Helena Reis*

“Desgarrados” é um livro sobre a vida e seus conflitos, compostos por Eda Nagayama a partir de uma estrutura narrativa muito peculiar que procuro reproduzir abaixo, como forma de resumir a trama. Me perdoem a ousadia!   

Uma mulher casada. Um pastor. Uma criança natimorta. O ofício. A abstinência. O marido. Ovelhas perdidas. Pensamentos tortuosos. 

Pecado.

Úmido. Desejo. Fumegante. Jamais. Vontade de Deus. Misturados. Inseparáveis. Maus presságios. Escorregar. Perder a fé.

Prazer.

Desatino. Deus testa. Infidelidade. Fruta indigesta. A sombra. O vizinho. A Secretária. 

A morte.

A bíblia. O ofício. Ovelha desgarrada. . Entrar em igrejas. Não importa qual. A besta a ocupa-lo. O mal. Entre as cadeiras. 

A fé.

 Ele. A Bíblia. O pastor. Parte.

Para sempre.

Ana Helena Reis
Capa Desgarrados - Eda Nagayama
Capa do livro Desgarrados, de Eda Nagayama

Narrativa

O livro é assim. Composto de frases entrecortadas, palavras separadas por pontos, que tecem uma trama de forma a criar tensão, suspense. São 120 páginas nessa estrutura, o que torna a leitura, apesar de instigante, um pouco cansativa.

A história se passa na periferia de São Paulo e é contada na forma de discurso indireto livre. Dois protagonistas são as figuras centrais do livro, sempre identificadas por seus papéis, nunca pelos nomes.

Um pastor que escolhe esse caminho não por fé e sim como uma saída para a opressão em que vivia. Uma mulher casada que, ao perder a filha recém nascida, passa a negar sua religião e se torna uma ovelha desgarrada à procura de um novo sentido para a vida.

Os dois se cruzam, se atraem, se afastam e suas vidas vão sendo relatadas em paralelo, entremeadas pelos pensamentos impuros que povoam suas mentes.

Perseguidos pelo presságio de que isso acabaria colocando em xeque sua fé e sua fidelidade a Deus e ao matrimônio, os desgarrados trazem para a narrativa as inquietações que contrapõem os dois lados de um mesmo conflito.

Vale a pena a leitura, tanto pela forma literária escolhida pela autora, como pelos questionamentos que o texto provoca.


Ana Helena Reis

retrato de Ana Reis
Ana Reis – Arquivo Pessoal

Ana Helena Reis é pesquisadora, conferencista, professora e escritora. Ao longo de sua carreira a escrita de artigos, textos jornalísticos e resenhas esteve sempre presente. Pela própria natureza de seu objeto de trabalho profissional – a observação e análise do comportamento humano, desenvolveu um gosto pela crônica e essa foi sua porta de entrada para se aprofundar na escrita literária.


Clube de criação literária

Clube de Criação Literária é uma dessas ações de mecenato coletivo – neste caso, em favor do escritor e tradutor Robertson Frizero. Mas, como o próprio nome sugere, é uma ação de mecenato que traz, também, uma ideia inovadora no campo da formação continuada em Escrita Criativa.

Associando-se ao Clube, o participante colabora com o mecenato coletivo e tem acesso a conteúdo exclusivo sobre Criação Literária:

  • Material didáticoartigos resenhas de livros de interesse na área de Criação Literária;
  • Reuniões on-line e debates sobre Criação LiteráriaLiteratura Mercado Editorial;
  • Vídeos, áudios, apresentações e sessões de mentoria literária em grupo;
  • Sorteios mensais de livros e serviços de mentoria literária individual e leitura crítica.

Desafio de literatura 2021: envie suas resenhas e ganhe prêmios

Conhece o Desafio de literatura 2021 do site Frizero? Você pode publicar sua resenha literária em nossa página e de quebra ganhar o livro  Dostoiévski – Correspondências (1838-1880), do escritor russo que completa duzentos anos de nascimento em 2021. A edição foi traduzida por Robertson Frizero.

Como devo escrever e enviar minha resenha

No mês de setembro, o desafio é ler um Um livro de autor brasileiro lançado de forma independente.

Para participar basta enviar seu texto para sitefrizero@gmail.com com o assunto [DESAFIO DE LITERATURA – NOME DO PARTICIPANTE].

Lembre-se deixar no formato .doc com a seguinte formatação: Times New Roman, 12, espaçamento 1.5, título e autor no nome do arquivo.

Caso sua resenha seja escolhida para publicação, você receberá um e-mail solicitando dados para o recebimento da premiação.


Robertson Frizero

Retrato de Robertson Frizero
Robertson Frizero

Robertson Frizero é escritor, tradutor e professor de Criação Literária. Sua primeira oficina foi lançada em 2011, e desde então se manteve em atividade contínua, entre oficinas, cursos, palestras e mentorias literárias. Foi jurado do Prêmio Jabuti de Literatura por três anos consecutivos e jurado do Prêmio Açorianos de Literatura. É Mestre em Letras pela PUCRS e especialista em Ensino e Aprendizagem de Línguas Estrangeiras pela UFRGS.

Frizero é autor de romances e livros infantis premiados, e já publicou também poesia, contos e textos teatrais. Seu livro de estreia, o infantil Por que o Elvis Não Latiu? [8INVERSO, 2010], foi agraciado com o Prêmio Crescer. Seu romance de estreia, Longe das Aldeias [Dublinense, 2015], ganhou o Prêmio AGES de melhor romance do ano pela Associação Gaúcha de Escritores – AGES e foi finalista dos prêmios São Paulo de Literatura e Açorianos de LiteraturaLonge das Aldeias foi também escolhido pelo Governo Federal para distribuição à Rede Pública de Ensino no PNDL Literário 2018. Em 2020, Longe das Aldeias foi traduzido para o árabe e publicado no Kuwait e Iraque, com distribuição para todo o mundo árabe.


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Roberson Frizero é escritor, tradutor, dramaturgo e professor de Criação Literária. É Mestre em Letras pela PUCRS e Especialista em Ensino e Aprendizagem de Línguas Estrangeiras pela UFRGS. Sua formação inclui bacharelado em Ciências Navais pela Escola Naval (RJ). Seu livro de estreia, Por que o Elvis Não Latiu?, foi agraciado pelo Prêmio CRESCER como um dos trinta melhores títulos infantis publicados no Brasil. Seu romance de estreia, Longe das Aldeias, foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura, do Prêmio Açorianos de Literatura e escolhido melhor livro do ano pelo Prêmio Associação Gaúcha de Escritores – AGES. Foi, por três anos consecutivos, jurado do Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro – CBL.

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