Por que participar de oficinas de literatura

Pessoa escrevendo no computador

Quando se fala em participar de oficinas de literatura, também chamadas de “oficinas de escrita criativa”, logo alguém tenta sugerir que os grandes talentos da literatura não passaram pela sala de aula. Isso só é verdadeiro em parte. Nomes consagrados da literatura nacional – como Michel Laub e Luisa Geisler, entre outros* – que foram finalistas do Jabuti, mais importante prêmio literário brasileiro, já frequentaram as salas de aula como alunos de oficinas.

Os autores que mencionamos acima participaram da mais antiga e célebre oficina de escrita criativa do país, a oficina do professor Assis Brasil. Em reportagem publicada no Jornal do Comércio de Porto Alegre, ex-alunos do professor Assis Brasil comentam que ele sempre dizia em sala de aula que não sabia se era possível ensinar alguém a escrever, mas, ao contrário, era possível aprender a escrever.

O aprender pertence ao aprendiz; o ensinar, ao professor. O aprender a escrever é um processo em que entram vários fatores convergentes: aplicar-se na leitura e na escritura, atentar ao que os outros têm a dizer de nosso trabalho – e, se possível, frequentar uma oficina literária. Já o “ensinar a escrever”, afeto ao professor, é uma formulação precária e incompleta, pois o ato da escrita compreende as técnicas – que, sim, podem ser ensinadas – mas algo a mais, o principal, que é a visão especial do escritor. Quanto a esse último elemento, talvez ele possa apenas ser estimulado, não ensinado.”

Assis Brasil – Reportagem “Autores veem oficinas literárias como marco para a formação” de Clarissa Barreto

Embora cada escritor tenha seu próprio processo de escrita (e isso é natural), a participação em oficinas de literatura são importantes no processo de amadurecimento da escrita.

Não se trata, como afirmam os detratores destas oficinas, de ensinar a ter inspiração ou coisas do tipo, mas, sim, de aprender técnicas que potencializem as competências de cada pessoa.

Encontros on-line se tornaram rotineiros e mais simples
(Imagem: Pixabay / Creative Commons)

O que se aprende em uma oficina literária

No Brasil há diversas oficinas de literatura, com diferentes perfis e voltadas para públicos diferentes. Há oficinais mais curtas outras mais longas, algumas específicas para um tipo de escrita, como microliteratura, por exemplo. Há também aquelas contínuas, como o caso do Clube de Criação Literária.

O importante, em todos estes casos, é buscar oficinas cujos professores tenham alguma trajetória literária e experiência no mercado editorial brasileiro.

Apresentamos temas que se pode aprender em uma oficina de literatura:

Quais as vantagens de participar de uma oficina literária

É como diz o professor Assis Brasil, mesmo que talvez seja difícil ensinar alguém a escrever, é possível, sim, aprender a escrever. Uma oficina de literatura ajuda o aspirante a escritor a perceber o universo da escrita criativa de uma maneira mais ampla e rigorosa.

Ou seja, contribui para pensar e encarar um texto ficcional de forma profissional, o que também ajuda a superar certas ingenuidades próprias da inexperiência de quem pretende entrar neste mundo.

Outro aspecto bastante positivo é a possibilidade da leitura crítica de outros colegas sobre o próprio texto, o que ajuda, também, a aprimorar os pontos fracos de um texto e, ao mesmo tempo, exercitar uma leitura mais estruturada, fundamental para quem deseja escrever bem.

Participar de uma oficina literária pode ser o pontapé de uma grande jornada de escritor, de um livro que pode vir a ser premiado, de um encontro inesquecível com pessoas incríveis. A vivência em uma oficina de literatura pode simplesmente se transformar no passaporte para o mundo da escrita ficcional.

* Robertson Frizero foi aluno da oficina do professor Assis Brasil.

Clube de criação literária

Clube de Criação Literária é uma dessas ações de mecenato coletivo – neste caso, em favor do escritor e tradutor Robertson Frizero. Mas, como o próprio nome sugere, é uma ação de mecenato que traz, também, uma ideia inovadora no campo da formação continuada em Escrita Criativa.https://www.youtube.com/embed/5RnCn4ZziEQ?feature=oembed

Associando-se ao Clube, o participante colabora com o mecenato coletivo e tem acesso a conteúdo exclusivo sobre Criação Literária:

  • Material didáticoartigos resenhas de livros de interesse na área de Criação Literária;
  • Reuniões on-line e debates sobre Criação LiteráriaLiteratura Mercado Editorial;
  • Vídeos, áudios, apresentações e sessões de mentoria literária em grupo;
  • Sorteios mensais de livros e serviços de mentoria literária individual e leitura crítica.

Desafio de literatura 2021: envie suas resenhas e ganhe prêmios

Conhece o Desafio de literatura 2021 do site Frizero? Você pode publicar sua resenha literária em nossa página e de quebra ganhar o livro  Dostoiévski – Correspondências (1838-1880), do escritor russo que completa duzentos anos de nascimento em 2021. A edição foi traduzida por Robertson Frizero.

Como devo escrever e enviar minha resenha

No mês de agosto, o desafio é ler um Um romance escrito por um autor português contemporâneo.

Para participar basta enviar seu texto para sitefrizero@gmail.com com o assunto [DESAFIO DE LITERATURA – NOME DO PARTICIPANTE].

Lembre-se deixar no formato .doc com a seguinte formatação: Times New Roman, 12, espaçamento 1.5, título e autor no nome do arquivo.

Caso sua resenha seja escolhida para publicação, você receberá um e-mail solicitando dados para o recebimento da premiação.


Robertson Frizero

Retrato de Robertson Frizero
Robertson Frizero

Robertson Frizero é escritor, tradutor e professor de Criação Literária. Sua primeira oficina foi lançada em 2011, e desde então se manteve em atividade contínua, entre oficinas, cursos, palestras e mentorias literárias. Foi jurado do Prêmio Jabuti de Literatura por três anos consecutivos e jurado do Prêmio Açorianos de Literatura. É Mestre em Letras pela PUCRS e especialista em Ensino e Aprendizagem de Línguas Estrangeiras pela UFRGS.

Frizero é autor de romances e livros infantis premiados, e já publicou também poesia, contos e textos teatrais. Seu livro de estreia, o infantil Por que o Elvis Não Latiu? [8INVERSO, 2010], foi agraciado com o Prêmio Crescer. Seu romance de estreia, Longe das Aldeias [Dublinense, 2015], ganhou o Prêmio AGES de melhor romance do ano pela Associação Gaúcha de Escritores – AGES e foi finalista dos prêmios São Paulo de Literatura e Açorianos de LiteraturaLonge das Aldeias foi também escolhido pelo Governo Federal para distribuição à Rede Pública de Ensino no PNDL Literário 2018. Em 2020, Longe das Aldeias foi traduzido para o árabe e publicado no Kuwait e Iraque, com distribuição para todo o mundo árabe.


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