Conheça quatro lições para ser um bom escritor

Ilustração de balão voando sobre as nuvens e perto da montanha.

Hoje apresentamos quatro lições para ser um bom escritor. Evidentemente nossas lições não são, propriamente, regras, mas, sim, hábitos que tornam o senso criativo dos escritores e aspirantes a escritores mais apurado.

O que propomos não são “determinações”, mas sugestões para aprimorar aspectos que poderão lhe ajudar a ser um bom escritor: exercite sua imaginação, aprimore sua observação, dedique-se à leitura e escreva regularmente.

Mas antes, pausa para uma palavrinha sobre o talento.

Para que serve o talento na escrita criativa

Talento, embora seja uma ajuda providencial, não basta. Aliás, o que é talento literário? Stephen Kock, em seu livro Oficina de escritores. Um manual para a arte da ficção (que inspira este texto) define talento literário da seguinte forma.

“Uma fluência ágil. Um jeito com as palavras. Uma imaginação que acende facilmente, sempre pronta a ver, ouvir e sentir.”

Stephen Kock, p. 39

Mais que um talento nato, escrever implica disciplina e persistência para transformar as fragilidades técnicas em habilidades narrativas.


Ilustração de balão voando sobre as nuvens e perto da montanha.
Ilustração PxHere / Creative Commons

Como exercitar a imaginação para a escrita criativa

Quando alguém disser que um escritor precisar exercitar a imaginação, significa que o ficcionista deve ser capaz de pairar sobre a experiência passiva da imaginação e dela retirar elementos.

Isso porque, diferente da maior parte das pessoas, que lidam até com certo desprezo em relação à imaginação, os escritores precisam saber distinguir imaginações fúteis daquelas que podem fazer surgir uma grande ideia.

Estar pronto para capturar uma cena, um pensamento, uma imaginação e torná-la algo digno de se transformar em uma história é algo que pode e precisar ser treinado. Mantenha a imaginação ativa!


Observação
Observação (Quizur Imagens / Creative Commons)

Ver e enxergar: aprimorando a observação

Aprimorar a observação significa ter a capacidade de selecionar eventos que para a maior parte das pessoas são despercebidos, mas ricos de significado.

Tudo vale. Desde um papel que caiu do bolso do transeunte, cujo conteúdo não se sabe, mas que você pode imaginar ser a última pista de uma pessoa, que depois de cruzar a multidão nunca mais foi vista.

São esses pequenos detalhes que dão nitidez à história. É isso que torna uma vida, aparentemente banal, extraordinária. Não esqueça de um detalhe: anote tudo que lhe parecer interessante, isso vai ajudar na hora da escrita.

Um último ponto. Observe o mundo com um olhar narrativo. Exercite este ponto de vista, imaginando histórias a partir de cenas cotidianas.


Jovem lê livro à beira do cais.
Leitura (Foto: Pexels / Pixabay CC)

Ler, ler e ler. A melhor companhia para quem deseja escrever

Certa vez, em uma entrevista, Toni Morrison disse: “Queria ser leitora… Só escrevi o primeiro livro porque pensei que ele ainda não existia”. Se você deseja ser um bom escritor, não há outra saída, é preciso ler e quanto mais melhor.

Em certo sentido, as figuras do leitor e do escritor são indissociáveis, porque se trata de um exercício de mútua reciprocidade. Mais do que isso, ler para um escritor, é uma forma de deslocar-se da própria perspectiva e descobrir mundos outros.

Aproveite a oportunidade para descobrir gêneros literários e autores que você não teve contato. Estranhe-se.

Mesmo que você seja um cronista, contista ou romancista, não deixe de ler poesia, ela pode ser capaz de trazer um supro de vida novo à literatura.


Mulher escrevendo no computador
Imagem Pixnio / Creative Commons

Escrever regularmente é fundamental para a técnica narrativa

Stephen Kock diz que “O escritor escreve. Constantemente. Obsessivamente. Sempre que tem oportunidade” (p. 57). É isso. Escrever é fundamental para o aprimoramento da técnica narrativa.

Anton Tchekov comentava que seu irmão, Aleksandr, havia esgotado sua energia para a escrita criativa, mas, diferente do que se pode supor, não foi por escrever muito, mas por escrever pouco. Exercite sua escrita. Fará bem a você.

Talvez o maior dilema do escritor inexperiente é andar sobre o fio da navalha entre uma autocrítica severa e a complacência com um trabalho que poderia ser melhor.

Por isso, manter seus dedos sobre o teclado pode ajudar muito a perceber o melhor equilíbrio, que levará ao aprimoramento, não ao bloqueio criativo.

Imagine, observe, leia, escreva. Não tome essas lições como leis, que ao fim e a cabo servem para serem quebradas. Aproveite-as como hábitos e aprimore sua escrita criativa.


Desafio de literatura 2021: envie suas resenhas e ganhe prêmios

Conhece o Desafio de literatura 2021 do site Frizero? Você pode publicar sua resenha literária em nossa página e de quebra ganhar o livro  Dostoiévski – Correspondências (1838-1880), do escritor russo que completa duzentos anos de nascimento em 2021. A edição foi traduzida por Robertson Frizero.

A cada mês um desafio diferente. Em janeiro a proposta é ler, justamente, um Romance de Entrenimento. Escolha o seu preferido, lei a envie sua resenha.

Como devo escrever e enviar minha resenha

No mês de fevereiro o desafio é ler Um romance (ou novela literária) de formação.

Para participar basta enviar seu texto para sitefrizero@gmail.com com o assunto [DESAFIO DE LITERATURA – NOME DO PARTICIPANTE].

Lembre-se deixar no formato .doc com a seguinte formatação: Times New Roman, 12, espaçamento 1.5, título e autor no nome do arquivo.

Caso sua resenha seja escolhida para publicação, você receberá um e-mail solicitando dados para o recebimento da premiação.


Roberton Frizero – escritor

Roberson Frizero é escritor, tradutor, dramaturgo e professor de Criação Literária. É Mestre em Letras pela PUCRS e Especialista em Ensino e Aprendizagem de Línguas Estrangeiras pela UFRGS. Sua formação inclui bacharelado em Ciências Navais pela Escola Naval (RJ).

Seu livro de estreia,  Por que o Elvis Não Latiu?, foi agraciado pelo Prêmio CRESCER como um dos trinta melhores títulos infantis publicados no Brasil.

O romance de estreia, Longe das Aldeias, foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura, do Prêmio Açorianos de Literatura e escolhido melhor livro do ano pelo Prêmio Associação Gaúcha de Escritores – AGES. Foi, por três anos consecutivos, jurado do Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro – CBL.


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