Robertson Frizero: meus 50 livros de cabeceira

Estante repleta de livros

Para comemorar os meia centena de posts do novo site do Frizero, cuja retomada se iniciou em outubro de 2020, o premiado escritor e professor de escrita criativa Robertson Frizero preparou uma lista de 50 livros para os nossos leitores. Confira os selecionados e aproveite para atualizar sua listinha de obras a serem lidas.

Aproveitamos o ensejo para desejar a todas e todos os leitores, alunos e visiantes um FELIZ 2022!, repleto de realizações e com muita literatura para inspirar todos aqueles que mergulham no mundo da literatura.

50 livros para ler em 2022

Robertson Frizero

Nesta lista, não pensei em fama, premiações, fortuna crítica ou amizades com os autores… Deixei a memória afetiva falar mais alto e coloquei, em ordem alfabética, 50 livros que me impactaram e, de algum modo, saltaram-me à mente quando me desafiaram a fazer esse rol de obras literárias… Espero que gostem e, quem sabe, tirem daqui algumas ideias para as próximas leituras.

Eis a lista.

livro aberto sobre a mesa com prédio ao fundo
Imagem: PXHere / Creative Commons

Eis a lista.

Anarquistas, graças a Deus, Zélia Gattai

SINOPSE: Publicado em 1979 e transformado em minissérie da rede Globo em 1984, Anarquistas, graças a Deus é o livro de estréia de Zélia Gattai e seu primeiro grande sucesso. Filha de anarquistas chegados de Florença, por parte do pai Ernesto, e de católicos originários do Vêneto, da parte da mãe Angelina, a escritora trazia no sangue o calor de seus livros. Trinta e quatro anos depois de se casar com Jorge Amado, a sempre apaixonada Zélia abandona a posição de coadjuvante no mundo literário e experimenta a própria voz para contar a saga de sua família. É assim que ficamos conhecendo a intrépida aventura dos imigrantes italianos em busca da terra de sonhos, e o percurso interior da pequena Zélia na capital paulista – uma menina para quem a vida, mesmo nos momentos mais adversos ou indecifráveis, nunca perdeu o encanto. A determinação de seu Ernesto e a paixão pelos automóveis, a convivência diária com os irmãos e dona Angelina, os sábios conselhos da babá Maria Negra, as idas ao cinema, ao circo e à escola, as viagens em grupo, o avanço da cidade e da política – nestas crônicas familiares, vida e imaginação se embaralham, tendo como pano de fundo um Brasil que se moderniza sem, contudo, perder a magia. Exímia contadora de histórias, Zélia as transforma em instrumento privilegiado para o resgate da memória afetiva. Foi Jorge Amado quem, um dia, lendo um conto de qualidade duvidosa que Zélia rascunhava, pescou essa veia de documental. Apontou-lhe o caminho e mostrou que ela se alimentava de sua rica ascendência familiar. Surge assim a Zélia memorialista, para quem a literatura provém não tanto da invenção, mas do trato apurado da memória e do desfiar cuidadoso, mas sem melindres, da intimidade. Em suas mãos, a literatura se torna, mais que confissão, auscultação do mundo. É tendência para o registro e o testemunho, que cimentam não só um estilo quase clínico de observar a existência, mas uma maneira de existir. Pois é da persistência do espanto que Zélia, em resumo, trata. Se Jorge Amado foi uma espécie de biógrafo involuntário do Brasil, Zélia Gattai se afirma como a grande narradora de nossa história sentimental.

Autobiografia de um Ex-negro, James Weldon Johnson

SINOPSE: Narra a vida de um prodigioso jovem birracial cuja pele clara permitia seu livre trânsito por todos os ambientes e situações de uma América recém-saída da escravidão no início do século XX. Forçado a escolher entre abraçar a sua herança cultural negra ou viver obscuramente como um pacato homem branco de classe média, o protagonista é levado à sua decisão por conta de terríveis acontecimentos que presencia durante a sua trajetória como músico de talento entre esses dois mundos tenuamente divididos pelas complexas questões raciais de seu tempo.

O Auto da Compadecida, Ariano Suassuna

SINOPSE: O “Auto da Compadecida” consegue o equilíbrio perfeito entre a tradição popular e a elaboração literária ao recriar para o teatro episódios registrados na tradição popular do cordel. É uma peça teatral em forma de Auto em 3 atos, escrita em 1955 pelo autor paraibano Ariano Suassuna. Sendo um drama do Nordeste brasileiro, mescla elementos como a tradição da literatura de cordel, a comédia, traços do barroco católico brasileiro e, ainda, cultura popular e tradições religiosas. Apresenta na escrita traços de linguagem oral [demonstrando, na fala do personagem, sua classe social] e apresenta também regionalismos relativos ao Nordeste. Esta peça projetou Suassuna em todo o país e foi considerada, em 1962, por Sábato Magaldi “o texto mais popular do moderno teatro brasileiro”.


Amada, Toni Morrison

SINOPSE: Baseado numa história real, Amada é ambientado em 1873, época em que os Estados Unidos começavam a lidar com as feridas da escravidão recém-abolida. Com estilo sinuoso, Toni Morrison constrói uma narrativa complexa, que entrelaça com maestria brutalidade e lirismo. Toni Morrison recebeu o prêmio Nobel de Literatura de 1993, Amada ganhou o Pulitzer de 1988 e em 2006 foi eleito pelo New York Times a obra de ficção mais importante dos últimos 25 anos nos Estados Unidos. Em 1998 recebeu uma adaptação cinematográfica – Bem-amada –, com Oprah Winfrey no papel principal.

Sethe é uma ex-escrava que, após fugir da fazenda em que era mantida cativa com os filhos, foi refugiar-se na casa da sogra em Cincinatti. No caminho, ela dá à luz um bebê, a menina Denver, que vai acompanhá-la ao longo da história. A relação familiar, bem como os traumas do passado escravizado, transformarão a vida e o futuro de ambas de forma irreversível. Amada segue uma estrutura não-linear, viaja do presente ao passado, alterna pontos de vista e sonda cada uma das facetas desta história sombria e complexa. Considerado um clássico contemporâneo, este livro faz um retrato ao mesmo tempo lírico e cruel da condição do negro no fim do século XIX nos Estados Unidos.


Um bonde chamado desejo, Tennessee Williams

SINOPSE: Um triunfo na literatura, no teatro e no cinema. Assim se consagrou Um bonde chamado Desejo, peça escrita pelo americano WILLIAMS, TENNESSEE . Desde sua publicação em 1947, foi aclamada na literatura com o prêmio Pulitzer, no teatro com a magistral interpretação do então novato Marlon Brando e no cinema com o estouro de bilheteria que foi o filme de Elia Kazan. Um bonde chamado Desejo é o retrato de uma sociedade decadente, personificada por Blanche DuBois, uma bela mulher que volta para a casa da irmã por não ter mais para onde ir. À beira da loucura, traumatizada e sofrida, ela entra em confronto com o mundo rude e viril do cunhado, Stanley Kowalski. Essa tensão, estabelecida entre o refinamento e a brutalidade, mostra uma família em ruínas num mundo conflituado, sem lugar para o amor e para a sensibilidade.

Cem Anos de Solidão, Gabriel Garcia Marquez

SINOPSE: Em Cem anos de solidão, um dos maiores clássicos da literatura, o prestigiado autor narra a incrível e triste história dos Buendía – a estirpe de solitários para a qual não será dada “uma segunda oportunidade sobre a terra” e apresenta o maravilhoso universo da fictícia Macondo, onde se passa o romance. É lá que acompanhamos diversas gerações dessa família, assim como a ascensão e a queda do vilarejo. Para além dos artifícios técnicos e das influências literárias que transbordam do livro, ainda vemos em suas páginas o que por muitos é considerado uma autêntica enciclopédia do imaginário, num estilo que consagrou o colombiano como um dos maiores autores do século XX.Em nenhum outro livro García Márquez empenhou-se tanto para alcançar o tom com que sua avó materna lhe contava os episódios mais fantásticos sem alterar um só traço do rosto. Assim, ao mesmo tempo em que a incrível e triste história dos Buendía pode ser entendida como uma autêntica enciclopédia do imaginário, ela é narrada de modo a parecer que tudo faz parte da mais banal das realidades.Gabo, apelido de Gabriel García Márquez, costumava dizer que todo grande escritor está sempre escrevendo o mesmo livro. “E qual seria o seu?”, perguntaram-lhe. “O livro da solidão”, foi a resposta. Apesar disso, ele não considerava Cem anos sua melhor obra (gostava demais de O outono do patriarca). O que importa? O certo é que nenhum outro romance resume tão completamente o formidável talento deste contador de histórias de solitários – que se espalham e se espalharão por muito mais de cem anos pelas Macondos de todo o mundo.Cem anos de solidão é uma obra grandiosa e atemporal, sobre a qual é possível construir diversos paralelos com a nossa própria existência.


Claro enigma, Carlos Drummond de Andrade

SINOPSE: Publicado em 1951, Claro enigma representa um momento especial na obra de Drummond. Com uma dicção mais clássica, o poeta revisita formas que haviam sido abandonadas pelo Modernismo (como o soneto, modalidade que fora motivo de chacota entre as novas gerações literárias), afirma seu amor pela poesia de Dante e Camões e busca uma forma mais difícil, mas sem jamais abandonar o lirismo e a agudeza de sua melhor poesia. O livro abre com a epígrafe do francês Paul Valéry, “Les evenements m’ennuient” (Os acontecimentos me entediam). Embora eloquente, a citação não corresponde perfeitamente à realidade, pois Drummond não vira completamente as costas para a vida mais pulsante. Pelo contrário: a experiência aparece em cada verso do livro, ainda que escamoteada por uma lírica que não se entrega ao fácil graças a uma visão algo desiludida do tempo e dos homens. Mas há, claro, espaço para o lirismo do amor, como no célebre poema “Amar”, que começa com os versos: “Que pode uma criatura senão, / entre criaturas, amar?”. A lira romântica de Drummond está bem afinada neste livro, como pode ser comprovado pela leitura de poemas como “Rapto” e “Tarde de maio”. A mineiridade também é lembrada no livro, em poemas vazados pela nostalgia ou que recontam episódios antigos da terra natal do autor. Claro enigma também conta com “A máquina do mundo” – eleito o melhor poema brasileiro do século XX por um grupo de críticos e especialistas consultados pelo jornal Folha de S.Paulo. Escrito em tercetos, é simultaneamente uma meditação profunda e uma espécie de épica íntima sobre a passagem do tempo e o conhecimento da vida como acontecimento breve e muitas vezes fortuito. Um clássico

O Clube da Felicidade e da Sorte, Amy Tan

SINOPSE: Quatro mulheres chinesas emigram para os EUA na década de 40 e refazem suas vidas em São Francisco. Para não sepultar completamente os mitos e tradições que deixaram para trás e poder entender melhor suas filhas, para quem os únicos valores que contam são os do ‘american way of life’, elas se reúnem semanalmente em torno de uma mesa de mahjong, criando ”O clube da felicidade e da sorte” . Ao atingir, na idade madura, o equilíbrio ideal, incorporando a mística chinesa à modernidade americana, a autora pôde construir um romance belo, raro e envolvente, onde sobressaem não só as dúvidas e inseguranças típicas de qualquer imigrante, de qualquer raça, mas a universalidade dos conflitos que são inerentes à relação mãe-filha. O segredo do sucesso do livro deveu-se não só a sua temática original, mas à combinação extremamente equilibrada de lirismo, elementos fantásticos e uma prosa extremamente bem realizada para uma estreante.

A Cor Púrpura – Alice Walker

SINOPSE: A cor púrpura, a obra-prima de Alice Walker vencedora do Pulitzer e um dos mais importantes títulos de toda a história da literatura. Alguns dos personagens mais marcantes da literatura estão neste livro; ganhador do Prêmio Pulitzer de 1983 e inspiração para o filme homônimo dirigido por Steven Spielberg em 1985.A cor púrpura é a história de Celie – por volta do período de 1900 a 1940 -, pobre, negra e praticamente analfabeta, no Sul dos Estados Unidos. Brutalizada desde a infância, a jovem foi estuprada pelo padrasto e depois forçada a se casar com Albert, um viúvo violento, pai de quatro filhos, que enxergava a esposa como empregada e lhe impunha sofrimentos físicos e morais rotineiramente.Celie escreve cartas para Deus e para a irmã, missionária na África, com uma linguagem peculiar que assume ritmo e cadência próprios e líricos, à medida que a adolescente cresce e começa a arregimentar experiências e amigos. Entre eles, a inesquecível Shug Avery, cantora, amante de Albert e responsável por uma sensível melhora na rotina de Celie.Apesar da dramaticidade de seu enredo, A cor púrpura não se resume às lágrimas derramadas pelo leitor diante das perversidades aqui relatadas – e longe de serem apenas fruto da imaginação de Alice Walker. Por trás de triste história de Celie, há uma crítica à relação entre homens e mulheres, ao poder dado ao homem em uma sociedade que ainda hoje luta por igualdade entre gêneros, etnias e classes sociais. Um livro que retrata um pedaço do mundo no início do século XX, mas que nos mostra a atualidade de determinadas questões.

Crime e Castigo, Fiódor Dostoiévski

SINOPSE: “Crime e castigo” é um daqueles romances universais que, concebidos no decorrer do romântico século XIX, abriram caminhos ao trágico realismo literário dos tempos modernos. Contando nele a soturna história de um assassino em busca de redenção e ressurreição espiritual, Dostoiévski chegou a explorar, como nenhum outro escritor de sua época, as mais diversas facetas da psicologia humana sujeita a abalos e distorções e, desse modo, criou uma obra de imenso valor artístico, merecidamente cultuada em todas as partes do mundo. O fascinante efeito que produz a leitura de “Crime e castigo” – angústia, revolta e compaixão renovadas a cada página com um desenlace aliviador – poderia ser comparado à catarse dos monumentais dramas gregos.

Crônica de uma morte anunciada, Gabriel Garcia Marquez;

SINOPSE: A morte de Santiago Nasar está anunciada desde a primeira linha da história. Toda a comunidade sabe do iminente assassinato movido por vingança, mas nada nem ninguém o salva de seu trágico fim. O narrador imediatamente sentencia: “No dia em que o matariam, Santiago Nasar levantou-se às 5h30 da manhã.” Fatalidade, destino, o absurdo da existência humana. O que explica a tragédia que se abateu sobre o protagonista de Crônica de uma morte anunciada?Nesta trama de construção perfeita, García Márquez monta um quebra-cabeça cujas peças vão se encaixando pouco a pouco, através da superposição das versões de testemunhas que estiveram próximas a Santiago Nasar no último dia de sua vida.Em que e em quem acreditar? Como descartar a parcialidade das versões e “o espelho quebrado da memória” dos envolvidos.É isso que o leitor vai descobrir ao longo da narrativa sóbria e direta, cuja estrutura toma emprestado o rigor jornalístico da reconstituição dos fatos tão caro a García Márquez. Todo o tempo, porém, o autor mantém a poesia, a sensualidade e a beleza de sua história e de seus personagens.Gabriel García Márquez publicou Crônicas de uma morte anunciada em 1981, um ano antes de receber o Prêmio Nobel de Literatura que o consagrou definitivamente como um dos mais importantes autores contemporâneos.


Desolação, Gabriela Mistral

SINOPSE: Gabriela Mistral (1889-1957) foi uma poetisa, educadora e diplomata chilena, Prêmio Nobel de Literatura de 1945. Gabriela Mistral nasceu em Vicuña, Chile, no dia 7 de abril de 1889. Desde jovem, demonstrou interesse pela escrita e pela docência, Sua vida foi marcada por episódios trágicos: o suicídio do namorado e o suicídio de um sobrinho, fatos que refletiram em sua poesia. Em 1914, ganhou um concurso de poesia e em 1922 publicou seu primeiro livro de poemas, “Desolação”, onde os temas são o amor, as mágoas e as perdas. Como professora, tornou-se uma referência na pedagogia – elaborou as bases do sistema educacional do México.


Dois irmãos, Milton Hatoum

SINOPSE: Onze anos depois da publicação de Relato de um certo Oriente, Milton Hatoum retoma os temas do drama familiar e da casa que se desfaz. Dois irmãos é a história de como se constroem as relações de identidade e diferença numa família em crise. O enredo desta vez tem como centro a história de dois irmãos gêmeos – Yaqub e Omar – e suas relações com a mãe, o pai e a irmã. Moram na mesma casa Domingas, empregada da família, e seu filho. Esse menino – o filho da empregada – narra, trinta anos depois, os dramas que testemunhou calado. Buscando a identidade de seu pai entre os homens da casa, ele tenta reconstruir os cacos do passado, ora como testemunha, ora como quem ouviu e guardou, mudo, as histórias dos outros. Do seu canto, ele vê personagens que se entregam ao incesto, à vingança, à paixão desmesurada. O lugar da família se estende ao espaço de Manaus, o porto à margem do rio Negro: a cidade e o rio, metáforas das ruínas e da passagem do tempo, acompanham o andamento do drama familiar.Prêmio Jabuti 2001 de Melhor Romance A capa pode variar.


Dom Casmurro, Machado de Assis

SINOPSE: Em Dom Casmurro, o narrador Bento Santiago retoma a infância que passou na Rua de Matacavalos e conta a história do amor e das desventuras que viveu com Capitu, uma das personagens mais enigmáticas e intrigantes da literatura brasileira. Nas páginas deste romance, encontra-se a versão de um homem perturbado pelo ciúme, que revela aos poucos sua psicologia complexa e enreda o leitor em sua narrativa ambígua acerca do acontecimento ou não do adultério da mulher com olhos de ressaca, uma das maiores polêmicas da literatura brasileira.

Dublinenses, James Joyce

SINOPSE: Uma das coletâneas de contos mais conhecida da língua inglesa, Dublinenses faz um retrato vívido e inclemente sobre a “boa e velha Dublin” do começo do século XX. Essas quinze histórias, incluindo “Arábias”, “Graça” e “Os mortos”, mergulham no coração da cidade natal de James Joyce, capturando não só a cadência da fala, mas também o realismo quase brutal dos sentimentos de seus habitantes.

Em busca do tempo perdido, Marcel Proust

SINOPSE: Em busca do tempo perdido é uma das maiores criações da literatura mundial. Dividida em sete livros, a obra-prima de Marcel Proust foi publicada entre 1913 e 1927, e sua beleza e força vão se revelando cada vez mais impactantes com o correr dos anos. Uma obra monumental, que deixou marcas eternas na literatura.

Espumas Flutuantes, Castro Alves

SINOPSE: Embora tenha vivido apenas 24 anos, Castro Alves tornou-se célebre por seus poemas de temática social, principalmente em defesa do abolicionismo. Publicado originalmente em 1870, um ano antes da morte do poeta, Espumas Flutuantes representa o momento final do romantismo no Brasil. Os valores da monarquia davam, então, lugar às transformações que conduziriam ao sistema republicano.

Este é o meu corpo, Filipa Melo

SINOPSE: Numa cidade de província, noite escura, enquanto a água fustiga as pedras nas margens do rio, é encontrado um corpo virado do avesso, irreconhecível, sem formas e sem rosto, ao mesmo tempo belo e repugnante. Coma solenidade exigida a um ato religioso, com a violência de uma violação, com a ternura de uma carícia, esse corpo desvelado através dos cortes profundos do bisturi de um médico-legista obcecado com os segredos que lhe contam os seus mortos. “Este é o Meu Corpo” arrasta-nos para uma viagem apaixonante ao fundo de nós mesmos, transportados pelo estilo claro , profundo e cirúrgico de uma autora que promete deixar marcas na nova literatura portuguesa.

Gabriela, Cravo e Canela, Jorge Amado

SINOPSE: O romance entre o sírio Nacib e a mulata Gabriela, um dos mais sedutores personagens femininos criados por Jorge Amado, tem como pano de fundo, em meados dos anos 1920, a luta pela modernização de Ilhéus, em desenvolvimento graças às exportações do cacau. Com sua sensualidade inocente, Gabriela não apenas conquista o coração de Nacib como também seduz um sem-número de homens ilheenses, colocando em xeque a lei que exigia que a desonra do adultério feminino fosse lavada com sangue. Publicado em 1958, o livro logo se tornou um sucesso mundial. Na televisão, a história se transformou numa das novelas brasileiras mais aclamadas mundo afora.

O Grande Gatsby, F. Scott Fitzgerald

SINOPSE: Jay Gatsby, o anfitrião milionário de monumentais festas em sua mansão, suscita muita desconfiança em seus convidados no que diz respeito à origem de sua fortuna, obtida após sua participação na Primeira Guerra Mundial. Gatsby é apaixonado há anos por Daisy, uma aristocrata casada com o astro esportivo Tom Buchanan, e prima de Nick Carraway, um corretor de títulos que vive em Long Island, em uma casa vizinha à do protagonista. Ao ser enfim convidado para uma das festas da Gatsy, Nick se torna seu amigo e, por meio dessa relação, Gatsy busca se aproximar de Daisy na esperança de reatar o velho romance, agora que se tornou um homem rico e capaz de impressioná-la. O triângulo amoroso entre Daisy, Gatsy e Tom começa a ganhar ares de tensão até que culmina em uma sucessão de tragédias, revelando a verdadeira face dos personagens e da sociedade aristocrata norte-americana da década de 1920, marcada pela busca pelo glamour e pelo materialismo desenfreado. Escrito pelo célebre autor americano F. Scott Fitzgerald, O grande Gatsby é considerado uma das melhores obras literárias do século X.


Guerra e Paz, Liev Tolstói

SINOPSE: “O que é Guerra e paz?”, questiona Liev Tolstói em um texto que detalha o processo de pesquisa e de criação de sua obra-prima. “Não é um romance, muito menos uma epopeia, menos ainda uma crônica histórica.” Ao acompanhar o percurso de cinco famílias aristocráticas russas no período de 1805 a 1820, Tolstói narra a marcha das tropas napoleônicas e seu impacto brutal sobre a vida de centenas de personagens. Em meio a cenas de batalha, bailes da alta sociedade e intrigas veladas, destacam-se as figuras memoráveis dos irmãos Nikolai e Natacha Rostóv, do príncipe Andrei Bolkónski e de Pierre Bezúkhov, filho ilegítimo de um conde, cuja busca espiritual serve como espécie de fio condutor e o torna uma das mais complexas personalidades da literatura do século XIX. Ao descrever o cotidiano e os grandes acontecimentos que se sucederam à invasão de Napoleão em 1812, Tolstói retrata uma Rússia magistral, imponente e, sobretudo, profundamente humana.

Um Inimigo do povo, Henrik Ibsen

SINOPSE: Em Um Inimigo do Povo Ibsen coloca seu personagem principal, Dr. Thomas Stockmann, no papel de uma minoria iluminada e perseguida que enfrenta uma maioria ignorante e poderosa. Quando o médico descobre que os famosos e bem-sucedidos banhos em sua cidade natal estão contaminados, ele insiste que sejam fechados para reparos. Por sua honestidade, ele é perseguido, ridicularizado e declarado um inimigo do povo pelos habitantes da cidade, incluindo alguns que foram seus aliados mais próximos. Encenada pela primeira vez em 1883, esta peça continua atual e relevante, elementos que a fazem ser representada continuamente.

Livro de Soror Saudade, Florbela Espanca

SINOPSE: Livro de Sóror Saudade é um livro de poesia de Florbela Espanca publicado em Janeiro de 1923. A poetisa iniciou o trabalho sobre a coletânea logo depois de ter editado a sua primeira obra, o Livro de Mágoas, em 1919. O Livro de Sóror Saudade é uma refundição dos dois manuscritos anteriores. As provas tipográficas do volume acham-se também no espólio da Biblioteca Nacional de Lisboa.

Os Maias, Eça de Queiroz

SINOPSE: A ironia é um dos grandes trunfos da escrita de Eça de Queirós. Em várias de suas obras, o autor descreve com fino humor a alta sociedade lisboeta de sua época e a situação decadente do país. No romance Os Maias, esse traço estilístico serve também para enfatizar o sentido trágico do destino. O enredo gira em torno de um caso de incesto entre Carlos da Maia e sua irmã, Maria Eduarda.

Maurice, E. M. Forster

SINOPSE: Maurice, de E.M. Forster, foi escrito entre 1912 e 1913, mas só foi publicado em 1971, após a morte do autor e conforme o seu desejo. O romance narra a história de Maurice e suas paixões por outros rapazes, o que é, ainda hoje, uma temática controversa.

Mensagem, Fernando Pessoa

SINOPSE: Mensagem reúne 44 poemas do português Fernando Pessoa que retratam o passado glorioso de seu país. Publicado em 1934, um ano antes da morte de seu autor, o livro representa uma valorização cultural da nação em busca da regeneração de seu império.Os poemas exaltam o estilo camoniano, maior representante das letras de Portugal, e símbolos históricos como o mítico Dom Sebastião e o Infante Dom Henrique.A primeira parte, Brasão, trata dos heróis lendários e históricos.A segunda, Mar Português, relembra as aventuras e conquistas do império.Por fim, O Encoberto é uma afirmação do sebastianismo – a crença no retorno do antigo rei como um messias salvador.Mensagem recebeu o prêmio do Secretariado de Propaganda Nacional apenas um mês após sua publicação. Também acabou tendo as ideologias que defendia em parte apropriadas pela ditadura salazarista mais tarde. O poema O infante, que abre o livro, acabou musicado pela cantora Dulce Pontes.

Morreste-me, José Luís Peixoto

SINOPSE: Morreste-me” foi o livro que revelou o escritor português José Luís Peixoto. Publicada em 2000, é uma obra tocante e comovente: é o relato da morte do pai, o relato do luto e, ao mesmo tempo, uma homenagem, uma memória redentora. “Um dos escritores mais dotados de seu país.” Le monde “Peixoto tem uma extraordinária forma de interpretar o mundo, expressa pelas suas escolhas certeiras de linguagem e de imagens

O Morro dos Ventos Uivantes, Emily Brönte

SINOPSE: Após o retorno de uma viagem do proprietário à fazenda do Morro dos Ventos Uivantes, o Sr. Earnshaw traz consigo um pequeno órfão, que todos acham ser um cigano e recebe o nome de Heathcliff. Rapidamente, toda a afeição que o patriarca lhe demonstra enciuma seu filho legítimo, Hindley, que acredita estar perdendo a afeição do pai. Contudo, Catherine, a irmã de Hindley, simpatiza por Heathcliff. Com o passar dos anos a amizade destas duas crianças cresce e transforma-se em puro amor. Porém, o rapaz é rapidamente rebaixado de seu posto na família com a morte do pai adotivo, e passa a sofrer por constantes humilhações. Cathy, vê sua cara metade tornar-se cada vez mais bruto e atormentado e se afasta dando espaço para novas amizades. As escolhas dos personagens deste romance, os comportamentos e as aflições permeiam o destino até das gerações seguintes e nos prendem a esta trama considerada uma obra prima do século XIX.

O Náufrago, Thomas Bernhard

SINOPSE: Em 1953, quando ainda é aluno de Horowitz no Mozarteum de Salzburgo, Glenn Gould, o maior gênio do piano deste século, toca pela primeira vez, para dois colegas de classe, sua interpretação revolucionária das Variações Goldberg, de Bach. Thomas Bernhard faz, a partir dos efeitos devastadores dessa interpretação sobre a vida dos dois amigos-ouvintes, uma das narrativas mais impressionantes da literatura contemporânea. Uma prosa em que a exasperação é tão radical que acaba resvalando no humor, para revelar a gargalhada escondida por trás do desespero.

A Ópera Naufraga, Jozias Benedicto

SNOPSE: Jozias Benedicto nos fala de um naufrágio, metáfora para momentos de crises, de perdas e decepções. Nada melhor para descrever a derrocada do projeto civilizatório engendrado pelos barões da borracha na cidade de Manaus, que culminou com a construção do Teatro Amazonas, pérola da arquitetura brasileira encravada no meio da selva amazônica. Os poemas de A ópera náufraga são como fragmentos de memórias, folhas de diários boiando nas águas do rio mar. Águas que são o elemento de união entre tantas vidas entrelaçadas: uma cantora de ópera, seu filho, marinheiros e tripulantes do navio compartilham emoções e esperanças nessa viagem transatlântica. Águas que também trazem a lembrança dos seringueiros que deram a vida para tornar possível o sonho de uma Paris tropical. Jozias costura diversas temporalidades em sua narrativa poética; presente, passado e futuro se conjugam, formando um quebra cabeças de recordações inventadas. Em um jogo de apropriações, o texto faz referência a diversos naufrágios presentes no cinema e literatura do século XX. Assim como os labirintos de igarapés amazônicos, as diversas histórias vão se entrelaçando e conduzindo o leitor a uma jornada nessas águas profundas e misteriosas.

Paddy Clarke Ha Ha Ha, Rodrigues Doyle

SINOPSE: Impiedoso e hilário relato mostrando como a difícil vida das crianças num subúrbio de Dublin nos anos 1960 as transforma em pequenas feras lutando por poder e por ternura. Líder absoluto nas livrarias da Grã-Bretanha, com cerca de 800 mil exemplares vendidos.

Pasta Senza Vino, Eduardo Krause

SINOPSE: O jovem Antonello Bianchi é um italiano indolente, machista e metido a conquistador. Sua única ocupação é atrair clientes para o restaurante em que trabalha (ou para si, quando for una bella donna). Essa vida de aventuras amorosas sofre uma virada quando ele conhece uma turista carioca, que o leva a atravessar um oceano em plenos anos 60 para compreender o próprio coração. Em tom leve e envolvente, Eduardo Krause apresenta um romance com sabor e graça, os ingredientes da boa literatura.

O Perdido, Hans-Ulrich Treichel

SINOPSE: Fugindo das tropas russas no final da Segunda Guerra, uma família alemã em perigo entrega seu primogênito aos cuidados de uma desconhecida companheira de fuga. Anos depois, já em tempos de prosperidade, o pai revela ao filho caçula: “Arnold não está morto”. Através dos olhos desse menino, assistimos à ascensão econômica da família mas também às suas crises constantes, às dores motivadas pelas tentativas fracassadas de encontrar o filho perdido. Relegado à penumbra, o caçula descreve como é vida sob o peso do irmão ausente.Hans-Ulrich Treichel já era escritor conhecido por vários volumes de poesia quando, em 1998, ganhou projeção internacional com este romance. O perdido é uma pequena obra-prima sobre o pós-guerra alemão, sobre uma geração que não foi aos campos de batalha mas herdou as feridas da guerra, numa Alemanha que mergulhou no trabalho e deixou de lado o enfrentamento com o próprio passado.

Persépolis, Marjane Satrapi

SINOPSE: Marjane Satrapi tinha apenas dez anos quando se viu obrigada a usar o véu islâmico, numa sala de aula só de meninas. Nascida numa família moderna e politizada, em 1979 ela assistiu ao início da revolução que lançou o Irã nas trevas do regime xiita – apenas mais um capítulo nos muitos séculos de opressão do povo persa. Vinte e cinco anos depois, com os olhos da menina que foi e a consciência política à flor da pele da adulta em que se transformou, Marjane emocionou leitores de todo o mundo com essa autobiografia em quadrinhos, que só na França vendeu mais de 400 mil exemplares. Em Persépolis, o pop encontra o épico, o oriente toca o ocidente, o humor se infiltra no drama – e o Irã parece muito mais próximo do que poderíamos suspeitar.

As Piedosas, Federico Andahazi

SINOPSE: John William Polidori é médico de formação, lá na Inglaterra do século 19. Mas, por conta das circunstâncias, seu ganha-pão é mesmo ser secretário do famoso escritor Lord Byron. O ano é 1816 e o dr. Polidori vai acompanhar o patrão e três amigos seus em umas férias de verão na Vila Diodati, Genebra. Naquela ocasião, o verão é atípico, com chuva muita e muita trovoada

Preciosa, Sapphire

SINOPSE: Preciosa conta a história da adolescente Precious Jones. Aos 16 anos e grávida do próprio pai pela segunda vez (a primeira foi aos 12 anos), ela conhece uma professora singular, sua guia numa jornada de redenção e transformação. Uma narrativa intensa sobre adversidades e os mecanismos para lidar com elas. Aclamado pela critica, PRECIOSA alcançou o primeiro lugar nas principais listas de mais vendidos nos Estados Unidos, incluindo do New York Times. Foi traduzido para mais de 11 idiomas e deu origem a um filme homônimo, apontado como um dos grandes favoritos ao Oscar 2010. Claireece Precious Jones suportou inimagináveis dificuldades em sua curta trajetória. Abusada pela mãe, estuprada pelo pai, ela cresce pobre, obesa, embrutecida, analfabeta, desprezada e, no geral, ignorada. Em seu próprio dialeto, ela se revela para os leitores: as humilhações constantes, os sonhos desfeitos e a resignação com que enfrenta a própria vida. No Harlem, o reino dos sem voz, mora com a mãe, mulher solitária e cruel que assiste a TV incessantemente, devora toda a comida que Precious prepara e a submete suas tiradas raivosas. Apesar de tudo, a adolescente suporta a mãe com paciência surpreendente e segue em frente, tentando contornar os problemas do dia a dia com a cabeça erguida. E sonha com uma vida de celebridade, coberta de jóias, vestidos de luxo e um namorado bonitão. Mas por causa da gravidez é forçada a abandonar a escola ― o último e precário vínculo que a ligava ao restante do mundo ― e é convidada a frequentar um centro de aprendizado alternativo. Ali, no fim da linha, está a senhorita Rain, uma jovem professora, radical e batalhadora por meio da qual Precious terá a possibilidade de recuperar sua voz e sua dignidade, descobrindo um mundo novo no qual poderá finalmente entender os próprios sentimentos e se expressar de uma maneira que nunca antes havia imaginado.

O Príncipe e o Mendigo, Mark Twain

SINOPSE: Tom Canty e Edward Tudor têm a mesma idade. São exatamente iguais. Há apenas uma pequena diferença – Edward é o príncipe herdeiro do trono da Inglaterra, e Tom é um mendigo, uma criança dos úmidos cortiços da Londres do século XVI. Um dia o destino intervém e ambos têm de viver, durante algum tempo, a vida do outro. Trocam de roupas e papéis. Tom é levado para o meio da pompa e do luxo da corte enquanto Edward conhece, horrorizado, os marginais, a sordidez e as profundezas da desigualdade social. A partir do clássico tema da troca de identidades, Mark Twain (1835-1910) – talvez o maior contador de histórias americano do século XIX – reflete de forma magistral sobre o hábito humano de julgar as pessoas pela aparência. E realiza, a um só tempo, uma fábula sobre a hipocrisia e a injustiça bem como uma divertida comédia que vem provocando lágrimas e risos em sucessivas gerações de leitores desde sua publicação, em 1882.

Proezas do Menino Jesus, Luís Jardim

SINOPSE: As Criancas Sensiveis Ficam Encantadas com a Leveza e a Simplicidade com que o Autor Narra as Peripecias de um Menino Chamado Jesus. Considerado de Excepcional Valor – Unesco.

Rebentar, Rafael Gallo

SINOPSE: Um romance impactante sobre uma mãe que precisa aprender a conviver com a ausência do filho depois que seu filho desapareceu aos 5 anos, Ângela dedicou toda a sua vida à busca da criança. Parou de trabalhar, não teve mais filhos, afiliou-se a instituições de busca de crianças desaparecidas. Mas após trinta anos sem nenhum resultado, ela finalmente decide desistir completamente da procura. Além da própria dor e culpa, Ângela precisa enfrentar o julgamento de todos aqueles que de alguma forma estavam envolvidos com sua história. Rebentar é um corajoso e emocionante mergulho nas dores da perda.

O Retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde

SINOPSE: Único romance escrito por Oscar Wilde, O retrato de Dorian Gray foi publicado em 1890 na revista Lippincott’s Monthly Magazine. Na ocasião, sem avisar o autor, os editores optaram por suprimir mais de quinhentas palavras do romance, por considerá-lo indecente. Esse ato revoltou Wilde, que republicaria o texto em livro no ano seguinte, revisado e ampliado. Dorian é um homem que se encanta com a visão de mundo hedonista do aristocrata Henry Wotton, que considera que a beleza e a satisfação sexual são as únicas coisas que importam na vida. Ele deseja então vender sua alma para que apenas um retrato seu pintado a óleo envelheça e desapareça, mantendo sua juventude eternamente. Como Fausto, Dorian tem seu desejo atendido e parte para uma vida libertina e amoral. A obsessão estética e a vida de aparências são temas centrais de O retrato de Dorian Gray. Ao retratar uma questão humana que persiste por séculos, Wilde criou uma obra-prima da literatura que merece seu lugar entre os maiores clássicos da história.

Santa Evita, Tomás Eloy Martinez

SINOPSE: Quando Eva morreu, em 1952, seu marido, o general Juan Domingo Perón, ordenou que seu corpo fosse embalsamado e exposto à nação argentina numa redoma de vidro. Três anos depois, quando o ditador caiu, o cadáver de Evita tornou-se um fardo pesado demais para qualquer regime.Assim teve início uma das mais insólitas peregrinações de que se tem notícia. Seqüestrado pelo Serviço de Inteligência do Exército, o cadáver vagou semanas pelas ruas de Buenos Aires, estacionou durante meses nos fundos de um cinema, prestou-se a todo tipo de paixões no sótão da casa de um capitão desmiolado até reaparecer, dezesseis anos mais tarde, no Velho Continente

Santo Inquérito, Dias Gomes

SINOPSE: Uma das grandes peças brasileiras modernas, por suas intenções artísticas e por suas preocupações sociais. O santo inquérito conta a história de Branca Dias, cristã nova e ingênua, filha de Simão Dias e noiva de Augusto Coutinho, que foi vítima de perseguição após cometer um ato que, aos seus olhos, julgava ser de extrema bondade: salvar de um afogamento o padre da cidade.Baseando-se num episódio histórico – ou lendário, como o de Branca Dias, vítima da Inquisição que alguns estudiosos veem como uma espécie de Joana D’Arc cabocla -, Dias Gomes afasta, de imediato, as fáceis, espetaculares e vistosas pompas que um escritor romântico traria para o palco.O que lhe importa é o conflito entre a pureza da personagem, a sua boa-fé, a sua sinceridade, e aqueles que deturpam seu comportamento, enxergando-o como uma ameaça à ordem e ao sistema de ideais estabelecidos

Seda, Alessandro Baricco

SINOPSE: É no caráter híbrido, irredutível a classificações imediatas, que reside a riqueza de Seda. A história se desenvolve sobre a trajetória de Hervé Joncour, numa cidade francesa cuja economia floresce, em meados do século XIX, com o incipiente negócio da seda. Nas viagens que faz ao Japão para comprar o produto, descortina-se para ele um mundo a um tempo arcaico e novo, no qual a estranheza se mistura ao fascínio e à paixão. Seda é um relato de sensações, de como a realidade objetiva se transmuda na visão, na memória e na linguagem. O texto se desenvolve sobre as imagens possíveis do que é puro mistério para Joncour: o “fim do mundo”, definido como “invisível”, cores “mais leves que o nada”, ideogramas que são como “cinzas de uma voz queimada”. É em tal poder evocativo das palavras que o protagonista acaba encontrando, já velho e reconciliado com as lembranças, um sentido para a existência. Nesse tempo pouco definível, entre o passado ainda ardente e a melancolia de um futuro pacífico, ele encontra “um modo exato de estar no mundo”. “Na manhã em que escreveu Seda, Baricco imaginou que toda a literatura do mundo desaparecera […] Como Flaubert, queria escrever ‘um livro feito de nada’.” – Pietro Citati, La Repubblica

Se um viajante numa noite de inverno, Italo Calvino

SINOPSE: Nesse romance, Calvino consegue uma proeza notável: unir o prazer voraz da leitura às tortuosas questões da vanguarda literária. No centro de sua preocupação está um tema que os teóricos chamam de “crise da representação”, ou seja, no mundo capitalista contemporâneo, dividido, múltiplo, alienado, não teriam mais lugar os romances tradicionais, com princípio, meio e fim, que constroem personagens e organizam o mundo, dando um sentido às coisas. O leitor de hoje estaria condenado ou à leitura espinhosa de obras que se debruçam sobre si mesmas e procuram desesperadamente uma saída para a literatura, ou à superficialidade descartável das obras de simples entretenimento. Calvino “socorre” esse leitor que é inquieto e exigente mas que gostaria que os autores escrevessem livros “como uma macieira faz maçãs”. Para isso, faz do próprio leitor seu personagem principal, cuja grande missão é ler romances. E tal como você, leitor(a), ele entra numa livraria e compra este livro: Se um viajante numa noite de inverno.

Toda nudez será castigada, Nelson Rodrigues

SINOPSE: Herculano, um viúvo moralista, inicia uma relação conturbada e repleta de sentimentos antagônicos com a prostituta Geni. Opondo-se a toda sua família, casa-se com Geni, e ela acaba se envolvendo com o filho do marido. Essa traição gera ainda outros incidentes, culminando na dissolução familiar. Apontada pela crítica como uma das peças mais amargas de Nelson Rodrigues, Toda nudez será castigada estreou em 1965, com Cleyde Yaconis como protagonista.Com uma habilidade genial para ironizar e satirizar os desvios comportamentais da sociedade, Nelson Rodrigues criou um teatro único e universal que vem atravessando décadas com a mesma vitalidade. Para celebrar o centenário do dramaturgo, a Editora Nova Fronteira relança suas 17 peças, uma obra essencial que inaugurou e consolidou o modernismo no teatro brasileiro.

Todos os Nomes, José Saramago

SINOPSE: Todos os nomes é a história de um modesto escriturário da Conservatória Geral do Registo Civil, o Sr. José, cujo hobby é colecionar recortes de jornal sobre pessoas famosas. Um dia sua curiosidade acabará se concentrando num recorte que o acaso põe diante dele: a mulher focalizada ali não é célebre, mas o escriturário desejará conhecê-la a todo custo. Abandonando seus hábitos de retidão, ele estará disposto a cometer pequenos delitos para alcançar o que deseja: pequenas mentiras que darão à vida uma intensidade desconhecida. Numa espécie de enredo kafkiano às avessas, o pequeno burocrata enrodilha-se na imprecisão das informações que ele mesmo acumula e acaba forçado a ganhar o mundo, a deixar os meandros de seu arquivo monumental, em busca de dados que, em última instância, mantenham alguma fidelidade à vida.

Viagem, Cecília Meirelles

SINOPSE: Este livro foi o passo inicial para Cecília Meireles ser apontada como a maior poetisa da língua portuguesa. Seus versos, repletos de delicadeza e sensibilidade, despertam no leitor imagens e sentimentos adormecidos nos estados da alma humana, convidando-o para acompanhá-la, como privilegiado passageiro, nessa inquieta viagem que é a vida.

Vidas secas, Graciliano Ramos

SINOPSE: Vidas secas é reconhecidamente o mais importante livro de Graciliano Ramos e um dos maiores clássicos da literatura brasileira. Graciliano Ramos nasceu em 1892, no interior de Alagoas, e cresceu na fazenda do pai antes de se mudar para a capital do estado e, posteriormente, para o Rio de Janeiro, onde começou a trabalhar na imprensa. Em 1937, foi preso sob vagas acusações de defender ideologias comunistas. Ao deixar a prisão, procurou trabalho como jornalista em um jornal do Rio de Janeiro. O editor então lhe permitiu publicar um texto curto, e Graciliano escreveu um conto chamado “Baleia”, sobre o sofrimento e a morte da cachorrinha de uma família de retirantes sertanejos. O conto fez sucesso e o jornal encomendou outros no mesmo estilo. Graciliano produziu então um conto para cada membro da família: o pai, a mãe e os dois filhos. Nascia assim Vidas secas, narrado em terceira pessoa, com treze capítulos que, por não terem uma linearidade temporal, podem ser lidos fora de ordem, como contos.Lançado originalmente em 1938, Vidas secas retrata a vida miserável de uma família de retirantes sertanejos obrigada a se deslocar de tempos em tempos para áreas menos castigadas pela seca. O pai, Fabiano, caminha pela paisagem árida da caatinga do Nordeste brasileiro com a sua mulher, Sinha Vitória, e os dois filhos, que não têm nome, sendo chamados apenas de “filho mais velho” e “filho mais novo”. São também acompanhados pela cachorrinha da família, Baleia, cujo nome é irônico, pois a falta de comida a fez muito magra.Vidas secas pertence à segunda fase modernista da literatura brasileira, conhecida como “regionalista” ou “romance de 30”. Denuncia fortemente as mazelas do povo brasileiro, principalmente a situação de miséria do sertão nordestino. É o romance em que Graciliano alcança o máximo da expressão que vinha buscando em sua prosa: o que impulsiona os personagens é a seca, áspera e cruel, e paradoxalmente a ligação telúrica, afetiva, que expõe naqueles seres em retirada, à procura de meios de sobrevivência e um futuro.

Vinte poemas de amor e uma canção desesperada, Pablo Neruda

SINOPSE: Obra prima do poeta chileno Pablo Neruda (Prêmio Nobel, 1971). Nunca os temas do amor, da solidão e da natureza foram tão bem tratados numa obra. Os versos aqui presentes ficam gravados para sempre na memória.

1984, George Orwell

SINOPSE: Publicada originalmente em 1949, a distopia futurista 1984 é um dos romances mais influentes do século XX, um inquestionável clássico moderno. Lançada poucos meses antes da morte do autor, é uma obra magistral que ainda se impõe como uma poderosa reflexão ficcional sobre a essência nefasta de qualquer forma de poder totalitário. Winston, herói de 1984, último romance de George Orwell, vive aprisionado na engrenagem totalitária de uma sociedade completamente dominada pelo Estado, onde tudo é feito coletivamente, mas cada qual vive sozinho. Ninguém escapa à vigilância do Grande Irmão, a mais famosa personificação literária de um poder cínico e cruel ao infinito, além de vazio de sentido histórico. De fato, a ideologia do Partido dominante em Oceânia não visa nada de coisa alguma para ninguém, no presente ou no futuro. O’Brien, hierarca do Partido, é quem explica a Winston que “só nos interessa o poder em si. Nem riqueza, nem luxo, nem vida longa, nem felicidade: só o poder pelo poder, poder puro”. Quando foi publicada em 1949, essa assustadora distopia datada de forma arbitrária num futuro perigosamente próximo logo experimentaria um imenso sucesso de público. Seus principais ingredientes – um homem sozinho desafiando uma tremenda ditadura; sexo furtivo e libertador; horrores letais – atraíram leitores de todas as idades, à esquerda e à direita do espectro político, com maior ou menor grau de instrução. À parte isso, a escrita translúcida de George Orwell, os personagens fortes, traçados a carvão por um vigoroso desenhista de personalidades, a trama seca e crua e o tom de sátira sombria garantiram a entrada precoce de 1984 no restrito panteão dos grandes clássicos modernos. Algumas das ideias centrais do livro dão muito o que pensar até hoje, como a contraditória Novafala imposta pelo Partido para renomear as coisas, as instituições e o próprio mundo, manipulando ao infinito a realidade. Afinal, quem não conhece hoje em dia “ministérios da defesa” dedicados a promover ataques bélicos a outros países, da mesma forma que, no livro de Orwell, o “Ministério do Amor” é o local onde Winston será submetido às mais bárbaras torturas nas mãos de seu suposto amigo O’Brien. Muitos leram 1984 como uma crítica devastadora aos belicosos totalitarismos nazifascistas da Europa, de cujos terríveis crimes o mundo ainda tentava se recuperar quando o livro veio a lume. Nos Estados Unidos, foi visto como uma fantasia de horror quase cômico voltada contra o comunismo da hoje extinta União Soviética, então sob o comando de Stálin e seu Partido único e inquestionável. No entanto, superando todas as conjunturas históricas – e até mesmo a data futurista do título -, a obra magistral de George Orwell ainda se impõe como uma poderosa reflexão ficcional sobre os excessos delirantes, mas perfeitamente possíveis, de qualquer forma de poder incontestado, seja onde for. “O maior escritor do século XX.” – Observer “Obra-prima terminal de Orwell, 1984 é uma leitura absorvente e indispensável para a compreensão da história moderna.” – Timothy Garton Ash, New York Review of Books ” A obra mais sólida e mais impressionante de Orwell.” – V. S. Pritchett


Clube de criação literária

Clube de Criação Literária é uma dessas ações de mecenato coletivo – neste caso, em favor do escritor e tradutor Robertson Frizero. Mas, como o próprio nome sugere, é uma ação de mecenato que traz, também, uma ideia inovadora no campo da formação continuada em Escrita Criativa.

Associando-se ao Clube, o participante colabora com o mecenato coletivo e tem acesso a conteúdo exclusivo sobre Criação Literária:

  • Material didáticoartigos resenhas de livros de interesse na área de Criação Literária;
  • Reuniões on-line e debates sobre Criação LiteráriaLiteratura Mercado Editorial;
  • Vídeos, áudios, apresentações e sessões de mentoria literária em grupo;
  • Sorteios mensais de livros e serviços de mentoria literária individual e leitura crítica.

Desafio de literatura 2021: envie suas resenhas e ganhe prêmios

Conhece o Desafio de literatura 2021 do site Frizero? Você pode publicar sua resenha literária em nossa página e de quebra ganhar o livro  Dostoiévski – Correspondências (1838-1880), do escritor russo que completa duzentos anos de nascimento em 2021. A edição foi traduzida por Robertson Frizero.

Como devo escrever e enviar minha resenha

No mês de dexembro, o desafio é ler Um livro que tenha como pano de fundo uma guerra, mas que tenha uma mensagem positiva e otimista.

Para participar basta enviar seu texto para sitefrizero@gmail.com com o assunto [DESAFIO DE LITERATURA – NOME DO PARTICIPANTE].

Lembre-se deixar no formato .doc com a seguinte formatação: Times New Roman, 12, espaçamento 1.5, título e autor no nome do arquivo.

Caso sua resenha seja escolhida para publicação, você receberá um e-mail solicitando dados para o recebimento da premiação.


Robertson Frizero

Retrato de Robertson Frizero
Robertson Frizero

Robertson Frizero é escritor, tradutor e professor de Criação Literária. Sua primeira oficina foi lançada em 2011, e desde então se manteve em atividade contínua, entre oficinas, cursos, palestras e mentorias literárias. Foi jurado do Prêmio Jabuti de Literatura por três anos consecutivos e jurado do Prêmio Açorianos de Literatura. É Mestre em Letras pela PUCRS e especialista em Ensino e Aprendizagem de Línguas Estrangeiras pela UFRGS.

Frizero é autor de romances e livros infantis premiados, e já publicou também poesia, contos e textos teatrais. Seu livro de estreia, o infantil Por que o Elvis Não Latiu? [8INVERSO, 2010], foi agraciado com o Prêmio Crescer. Seu romance de estreia, Longe das Aldeias [Dublinense, 2015], ganhou o Prêmio AGES de melhor romance do ano pela Associação Gaúcha de Escritores – AGES e foi finalista dos prêmios São Paulo de Literatura e Açorianos de LiteraturaLonge das Aldeias foi também escolhido pelo Governo Federal para distribuição à Rede Pública de Ensino no PNDL Literário 2018. Em 2020, Longe das Aldeias foi traduzido para o árabe e publicado no Kuwait e Iraque, com distribuição para todo o mundo árabe.


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