Personagens como os alicerces da história – Parte II

Computador de escritor sobre a mesa

Na primeira parte deste texto Personagens: os alicerces da história, apresentamos algumas considerações iniciais sobre a importância, consistência e construção de personagens.

Continuamos esse debate com o propósito de oferecer mais informações e técnicas para você ficar mais seguro na hora de pensar e construir o grupo de personagens que darão vida à sua história.


Protagonista ou personagens centrais?

Embora ainda seja muito comum se falar em protagonista nas narrativas de ficção, o termo (e o que ele implica) exige grandes responsabilidades.

Pois se admitimos que nosso texto literário tem um protagonista será necessário criar, também, seu antagonista. O risco, como nos adverte o professor Assis Brasil, em seu livro Escrever Ficção, é criar narrativas pobres.

Por essa e outras razões, pensar em personagens centrais pode ser mais produtivo em um texto literário. A esses personagens devotamos nossas melhores energias literárias para quem sejam consistentes.

O principal papel dos personagens coadjuvantes é que eles sejam relevantes no contexto do conflito da obra.

Podemos, em um trabalho conjunto com quem nos lê, deixar para os leitores intuir quais são os dramas e dilemas pessoais dos coadjuvantes, sem prejuízo estético da obra.


Livro e escrita criativa
Pixnio / Creative Commons

Descrição de personagens

Há muitas formas de “inserir” um personagem na história. Inclusive abrir uma narrativa de ficção pelo personagem, isto é, apresentar a um só tempo o que vai ser narrado e o personagem principal. Fisgue o leitor, é uma boa chance!

Chuck Palahniuk, autor, dentre outros livros, de Clube da luta, ensina que é melhor o escritor colocar os personagens a fazerem coisas que “pensarem” coisas. Então colocar personagens “em ação” é sempre uma boa estratégia para prender leitores.

Mas esta seção do texto é sobre descrição de personagens, porém até agora não veio nenhuma dica nesse sentido? Isso porque a descrição de personagem deve ser feita com a máxima moderação e, preferencialmente, quando tem função narrativa na ficção.

Qual a melhor descrição física de personagens?

A melhor descrição física de personagens é aquela feita pelo leitor. É triste, meu caro escritor, você denota toda sua energia e é o leitor que leva os louros? Sim, mas, lembre-se que você é, antes de tudo, também um leitor.

Isso não deve servir para desencorajar escritores na tarefa de apresentar seus personagens, mas, sim, para focar a escrita em descrições que sejam duplamente precisas, isto é, ajustadas à narrativa e no alvo dos sentidos que se pretende atingir.


Efeitos narrativos na descrição de personagens

Conheça alguns efeitos narrativos que podem funcionar com os personagens de sua narrativa de ficção.

Descrever o personagem pelo que não é

Pode parecer estranho, mas dizer de um personagem o que ele não é pode ser uma boa alternativa. Além de ampliar as possibilidades de criação dos leitores, você pode, a certa altura do texto, trazer elementos que mostram quem ele realmente é.

Como tratar personagens lacônicos e tagarelas

Diálogos em literatura de ficção são sempre mais complexos de se compor que um olhar apressado sugere (mas isso é tema para outro post). E os próprios diálogos são boas alternativas para apresentar personagens.

Aos personagens mais pensativos e lacônicos suas falas têm pesos importantes na narrativa, costumam (e devem) ser carregadas de sentidos.

Já os falastrões, pela quantidade de coisas que dizem, falam muitas bobagens, então é melhor apresentá-los a partir do que os outros pensam sobre o que eles dizem.

Personagens coadjuvantes com papeis chaves no enredo

Personagem coadjuvante não significa personagem desimportante. Embora você não vá desenvolvê-lo de forma mais ampla, apresentando suas motivações e conflitos, ele pode ser fundamental para a sua história.

Esse é o papel de Jorge Burgos, monge bibliotecário cego em O nome da Rosa, de Umberto Eco, que envenena um livro, mas que, depois, morre envenenado por tê-lo comido. Ele é importante na trama policial.

Nestes casos, os coadjuvantes não estão ligados ao conflito da obra e de seus personagens centrais, mas ajudam a contextualizar o enredo.

Afinal, quem são os personagens principais na narrativa ficcional

Os personagens principais na narrativa ficcional são aqueles mais suscetíveis ao conflito da obra. É nesse sentido que pensar para além do protagonista e antagonista é uma alternativa mais rica, pois abre mais caminhos à nossa história.


Pessoa escrevendo em um bloco de notas no campo
Imagem Pixnio / Creative Commons

Desafio de literatura 2021: envie suas resenhas e ganhe prêmios

Conhece o Desafio de literatura 2021 do site Frizero? Você pode publicar sua resenha literária em nossa página e de quebra ganhar o livro  Dostoiévski – Correspondências (1838-1880), do escritor russo que completa duzentos anos de nascimento em 2021. A edição foi traduzida por Robertson Frizero.

A cada mês um desafio diferente. Em janeiro a proposta é ler, justamente, um Romance de Entrenimento. Escolha o seu preferido, lei a envie sua resenha.

Como devo escrever e enviar minha resenha

No mês de fevereiro o desafio é ler Um romance (ou novela literária) de formação.

Para participar basta enviar seu texto para sitefrizero@gmail.com com o assunto [DESAFIO DE LITERATURA – NOME DO PARTICIPANTE].

Lembre-se deixar no formato .doc com a seguinte formatação: Times New Roman, 12, espaçamento 1.5, título e autor no nome do arquivo.

Caso sua resenha seja escolhida para publicação, você receberá um e-mail solicitando dados para o recebimento da premiação.


Roberton Frizero – escritor

Roberson Frizero é escritor, tradutor, dramaturgo e professor de Criação Literária. É Mestre em Letras pela PUCRS e Especialista em Ensino e Aprendizagem de Línguas Estrangeiras pela UFRGS. Sua formação inclui bacharelado em Ciências Navais pela Escola Naval (RJ).

Seu livro de estreia,  Por que o Elvis Não Latiu?, foi agraciado pelo Prêmio CRESCER como um dos trinta melhores títulos infantis publicados no Brasil.

O romance de estreia, Longe das Aldeias, foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura, do Prêmio Açorianos de Literatura e escolhido melhor livro do ano pelo Prêmio Associação Gaúcha de Escritores – AGES. Foi, por três anos consecutivos, jurado do Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro – CBL.


Leia também

Literatura de entretenimento no Brasil: conheça suas características

Desafio de leitura 2021: leia mais e comece a escrever

Natal na literatura: dez dicas de obras que retratam o espírito natalino

Da leitura de superfície à estrutura do texto na escrita criativa

Como escrever um bom começo de texto literário

Concursos literários recebem inscrições em 2020

O fator humano na Escrita Criativa e na literatura de ficção

Literatura policial: Da inquietude ao senso de justiça. Entrevista com Carina Luft

O conto e a literatura de narrativa curta

Mentoria literária para escritores, saiba o que é

Romance “Longe das Aldeias” é lançado em árabe

2 Replies to “Personagens como os alicerces da história – Parte II”

  1. […] Personagens como os alicerces da história – Parte II […]

  2. […] Personagens como os alicerces da história – Parte II […]

Deixe uma resposta